quarta-feira, dezembro 06, 2006

Tu-tum... Tu-tum...

Imaginamos um Homem triste...
O seu coração bate fraco, tu-tum, tu-tum.
Queres um bater triste? Eu dou-te, ofereço-te um bater triste, um espancamento levezinho.

«O que não te mate, deixa-te mais forte!» - Também nos pode deixar mais fracos.
Onde acaba o fundo? Onde acaba o vazio? Na tua mente ou no teu coração?
O mundo parece não ter razão de ser quando funcionamos "normalmente" e damos ouvidos ao tempo, ao tempo em que estamos debaixo do sol e da chuva.
Pois o tempo debaixo da terra não é tempo: deixa de ser Tempo.
Quanto tempo esperamos? Quanto tempo valorizamos?
Quanto tempo paramos e quanto tempo avançamos?

Se chorarmos... temos tempo?
Quanto tempo nos leva a sorrir de novo?
Quanto tempo levamos a Morrer e quanto tempo é a morte?

O tempo são constantes... e milhões... e quantos mais bater de corações...
Todos, em confusão, caos, destruição.

Tu-tum... Tu-tum... Tu.

Prefácio jocoso para uma peça teatral de encantar

(Abrem as cortinas. Ele vê a "bola" na televisão: Sporting a perder a 3. Ela encosta-se devagarinho, suspira)

Ela: Eu sou má, não sou?

Ele (a medo, o actor responde baixinho): És um bocadinho...

Ela: Sou o que?! Uma cabrinha?!

Ele: Não... "um bocadinho"...

Ela: Ah... (silêncio) Eu gostava mais de ser uma cabrinha.

Ele: És uma cabrinha.


(silêncio)



Ela: O Sporting está a perder?

segunda-feira, outubro 09, 2006

Flor.da.Murta.

Pensava que as tinha.
Fechadas dentro de mim, lugar a que não teria mais de voltar:
imundo, fétido, esquelético esquecido.

Sentia-o bem longe, corpo e aquilo a que chamam mente, ele também mente. Outros olhavam a cama que a consumia, nada faziam. Leito-morte e respeito. Não lembro. Não esqueço. Antes lembrar e esquecer...
Vejo uma parede... não, quatro paredes brancas, são altas, são fechadas, puras inatas. É tecto, é chão, tudo espelho que não retorna imagem. Ali no cantinho sozinha, coisinha, insecto a libelinha ali Morria... Morria muito tempo, Morria, excepto ninguém...
És mal, és má, doença, aquilo que ninguem quer ter, ser ou sonhar. Uma carraça nojenta, esfrego-te e não sais, minha puta!
Libelinha menina, Morria tanto quanto podia... o único contacto com o exterior é dor.
Que grande temporal minha flor! Não te compreendo mas és minha, és a minha flor... eu ajudo-te, meu amor. Dou-te tanto quanto precisas, dou-te comida, um abrigo, um circo de cor... porque és a minha flor, Flor da Murta... não te empresto um sentimento nem um coração, pois isso também não sei dar... só pena e compaixão. Não precisas chorar, minha flor, todo o teu corpo é sanígeno e, o Resto que importa?
Ninguém compreende em mim, algum dia quero raiva. Não me deixam voar mais, quero voltar deste morrer para dar um gostinho de prato frio a quem me encheu a pança de... pois sou a libelinha, que ainda está para sair.

Um dia...