segunda-feira, outubro 09, 2006

Flor.da.Murta.

Pensava que as tinha.
Fechadas dentro de mim, lugar a que não teria mais de voltar:
imundo, fétido, esquelético esquecido.

Sentia-o bem longe, corpo e aquilo a que chamam mente, ele também mente. Outros olhavam a cama que a consumia, nada faziam. Leito-morte e respeito. Não lembro. Não esqueço. Antes lembrar e esquecer...
Vejo uma parede... não, quatro paredes brancas, são altas, são fechadas, puras inatas. É tecto, é chão, tudo espelho que não retorna imagem. Ali no cantinho sozinha, coisinha, insecto a libelinha ali Morria... Morria muito tempo, Morria, excepto ninguém...
És mal, és má, doença, aquilo que ninguem quer ter, ser ou sonhar. Uma carraça nojenta, esfrego-te e não sais, minha puta!
Libelinha menina, Morria tanto quanto podia... o único contacto com o exterior é dor.
Que grande temporal minha flor! Não te compreendo mas és minha, és a minha flor... eu ajudo-te, meu amor. Dou-te tanto quanto precisas, dou-te comida, um abrigo, um circo de cor... porque és a minha flor, Flor da Murta... não te empresto um sentimento nem um coração, pois isso também não sei dar... só pena e compaixão. Não precisas chorar, minha flor, todo o teu corpo é sanígeno e, o Resto que importa?
Ninguém compreende em mim, algum dia quero raiva. Não me deixam voar mais, quero voltar deste morrer para dar um gostinho de prato frio a quem me encheu a pança de... pois sou a libelinha, que ainda está para sair.

Um dia...